Antes de chegarmos à Florentina, a família estava presa num ciclo silencioso de proteção que, sem querer, a deixava mais dependente: faziam quase tudo por ela, tinham medo de a “puxar”, a casa continuava organizada para a vida de antes (corredores apertados, cozinha pouco funcional, apoios pouco adequados), a fisioterapia tinha sido interrompida e ninguém sabia bem como lidar com as sensações dos “animais na perna” — respondiam como podiam, ora a contrariar, ora a desvalorizar.
Com o acompanhamento, o resultado sentido pela família não foi “uma cura”, mas uma mudança concreta: a Florentina mais ativa e incluída, a casa finalmente alinhada com as suas necessidades reais, menos risco de queda, menos discussão, mais segurança, mais autonomia possível — e filhas que deixaram de se sentir perdidas e culpadas e passaram a saber exatamente como ajudar sem substituir a mãe em tudo.
Doença de Parkinson — 67 anos — Serra d’Água, Madeira